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Code Vein

  • Foto do escritor: Tríplice Force
    Tríplice Force
  • 25 de out. de 2019
  • 5 min de leitura


No mês de abril de 2017 a Namco Bandai revelou para o mundo uma nova IP em um teaser de pouco mais que 30 segundos, como é de se esperar dessas coisas, foi mostrado elementos da direção de arte e conceitos que fariam parte do futuro game, mas entre tudo que o vídeo mostrou, o que mais iria definir este novo projeto foi a hashtag nos segundos finais do vídeo, #PrepareToDine . Para qualquer jogar de Dark Souls ficou claro qual era a mensagem aqui, esse novo projeto era para agradar aos fãs que estavam preparados para morrer inúmeras vezes nos games da From Software, esse seria um Souls Like. No mês de maio do mesmo ano, com o primeiro trailer do jogo, Code Vein mostrou o que o tornaria diferente dos demais jogos do gênero, um estilo artístico de anime com direito a abertura feita pelo estúdio renomado Unfotable, depois de tudo isso fica fácil entender porque o game e constantemente chamado de “Anime Souls”.



Depois de mais alguns anos e um adiamento, o jogo produzido pelo estudio Shift (God Eater) foi lançado no mês de setembro desse ano, e para alegria dos compradores, mostrou ser um produto com qualidade superior ao que a beta e a demo tinham apresentado meses antes. O jogo tem inspirações fortes na series Souls da From Software com elementos já manjados (checkpoints manuais que resetam os inimigos quando usados, Xp e moeda unificados, penalidade por morrer, barra de estamina e etc ...), porém ele traz conceitos novos assim como faz algumas coisas de forma diferente em relação a sua fonte de inspiração

O enredo do game e direto e claro, você e um Revenant (basicamente um vampiro), que vai se juntar com outros personagens para encontrar a fonte de Blood Beads (uma fruta especial) que servem para saciar a sede de sangue dos revenants, que caso não saciada, os fazem virarem monstros que são chamados de Lost. Mesmo o ponto de partida do enredo sendo algo bem simples, a historia acaba evoluído graças a personagens interessantes e plot points bem desenvolvidos, que levam o jogador de uma revelação à outra até o clímax e ao final do game, que cominam na solidificação do universo apresentado.

Por falar em universo, Code Vein se passa em uma região cerca por uma névoa vermelha que impede o contato de quem esta dentro com quem esta fora dela, e os roteirista usaram desse fato para criar situações onde podemos presenciar os conflitos e as dificuldades dos personagens, seja pelos luta diária contra a sede, seja pela forma que a sociedade se estruturou dentro da nevoa, o que acaba dando mais densidade para o enredo. Esse que vai ficando cada vez mais intenso e revelador conforme você progredir pelo game.


Não adianta nada ter todo o trabalho para criar um universo interessante se os personagens que o habitam não forem igualmente interessantes, e Code Vein sabe bem disso. Os personagens importantes são bem escritos e carismáticos, possuem papeis importantes no universo, o que tornam conhecer eles uma experiência de progressão rumo a entender melhor o mundo de Code Vein. Isso tudo acaba dando forma a historia do game, que mesmo não sendo nada inovador, e extremamente eficiente em fazer o que se propõe, sendo ela é um dos pontos mais fortes desse jogo.

Outro quesito que Code Vein se destaca é na arte e design, o jogo é tem um visual bem único e bem representado pela tecnologia cel shading que jogos baseados em anime gostam de usar. O game esbanja personalidade e isso agrega mais ainda ao universo e aos personagens. Uma pena essa qualidade não se estender para todos os aspectos do game, sendo os inimigos aqui os mais defasados no quesito, com modelos sem graça e pouca variedade a ponto de alguns Lost no final do game ser apenas uma versão de cor diferente de inimigos visto no começo da aventura. Mesmo não sendo algo que possa incomodar algumas pessoas, e algo que contrasta fortemente com a qualidade do jogo.

O Sistema de habilidades do game é bem simples, mas assim como o enredo, ganha muito complexidade conforme a jornada avança. Cada Revenant tem um blood code, esse que determina as habilidades desse personagem, o seu personagem pode usar o blood code de outras pessoas, os status do seu personagem são definidos pelo blood code equipado no momento, o que também determinam suas limitações de habilidades e equipamentos que podem ser usados. Equipamentos podem ser melhorados para dar mais dano e modificados para melhor atender suas necessidades como dano elemental, pesar menos, afligir um certo status negativo, entre outros. Isso por si só já ofereceria muito diversidade na hora de fazer suas builds, só que jogo tem mais de 30 blood code, com mais de 150 habilidades diferentes para serem usadas, essas que após serem masterizadas podem ser utilizadas em qualquer blood code, salvo algumas exceções. Some isso ao já consolidado sistema de combate de onde Code Vein se inspira e você tem um gameplay solido apoiado por um sistema de habilidades robusto.

Code Vein tem um jeito único de representar a principal característica de um vampiro, sugar sangue. No game existem equipamentos chamados de blood veils, que permitem o jogador desferir ataques de drenagem para sugar o sangue inimigo, esse que é usado para utilizar suas habilidades, já que ele não pode ser consumido para saciar a sede devido ao fato de vir dos Lost. Além de ser muito empolgante ver as animações dos ataques de drenagem, eles servem para dar um ritmo único ao gameplay, aplicando de forma inteligente um conceito básico como vampiros sugando sangue.

Outro ponto de destaque esta na forma de aquisição de habilidades, conforme o game avança novos blood code são liberados, e na maioria das vezes certas habilidades estão trancadas, para liberar elas e necessários encontra itens chaves espalhados pelos mapas, esses itens são basicamente fragmentos de memorias dos donos originais dos blood codes, como os revenants são tecnicamente imortais, todas as vezes que eles ressuscitam de uma morte, acabam perdendo uma parte da sua memoria, isso cria o incentivo para explorar cada canto do game. Recompensando o jogador com mais poder ao mesmo tempo em que expõe mais background de certos personagens, esses que são entregas na forma de um flashback jogável, onde você progredir de um ponto ao outro presenciando as memorias se desenrolam, são nesses pequenos segmentos que o jogo entrega seus momentos mais emocionais e impactantes acompanhados de uma musica maravilhosa.

Para fechar o pacote “anime souls” Code Vein conta com um sistema de criação de personagens robusto com uma qualidade surpreendente altíssima, permitindo que o jogador customizar sua aparência de forma bem profunda. É extremamente interessante ver as recriações de personagens de animes (games também) conhecidos no jogo, uma visita rápida ao subreddit do game deixa claro como modo de criação do game e um dos pontos de destaque do game.


Code Vein é um jogo que consegue entregar uma experiência renovada enquanto se apoia em conceitos já calejados do subgênero souls like, a forma como decidiu abordar certos elementos de gameplay, casando narrativa e temática e de longe uma das melhores qualidades do titulo, assim como seu enredo. Mesmo o titulo de “anime souls” ser algo difícil de descarta de primeira vista, assim que o jogo começa a avançar e mostrar suas qualidades e diferenças, fica claro que este não é só mais um game tentando pega carona na popularidade estabelecida por outras series, fica claro que Code Vein é uma experiência com qualidades próprias, assim justificando o seu espaço como um dos carros chefes desse subgênero e um jogo imperdível para quem gosta da proposta oferecida aqui.



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