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Hora do chá #06

Foto do escritor: Tríplice ForceTríplice Force

Atualizado: 10 de fev. de 2020



Olá a todos, bem vindos a mais uma hora do chá! Hoje falaremos de uma série magica, não tão magica assim, Carnival Row! Uma série sobre humanos, fadas e todos os tipos de espécies magicas numa realidade não tão magica, que aborda temas reais enquanto mergulha num universo poluído e conflitante.


Carnival Row é uma série original da Amazon Prime que trouxe como carro chefe o casal de protagonistas bem peculiar e conhecido, Orlando Bloom (Senhor dos anéis, Piratas do Caribe) e Cara Delevingne (Cidades de Papel, Esquadrão suicida). A série te apresenta um cenário de guerra entre duas facções e o precário modo de vida de nossa personagem principal até chegar ao local onde acompanhamos a maior parte da trama. Por mais que seja um mundo com fadas, faunos, falsos deuses, a realidade está longe de ser uma sociedade magica e cintilante, o que vemos é um visual dark, parecido com uma Londres antiga, uma humanidade próxima ao tempo da revolução francesa. Um mundo descobrindo o poder e eficiência dos maquinários e provavelmente a um passo da tecnologia. Particularmente eu achei isso conflitante no começo, hesitante de ser uma entrega pela metade de fantasia, com medo de explorar a magia. Posso dizer que mesmo não me agradando no começo por esse fator, não foi uma situação que permaneceu por mais de dois episódios. Afinal, Carnival Row, além de seus mistérios, situações complexas e uma leva bem chamativa de atores, nos trás muito mais do que um um universo fantástico, ela aborda problemas da sociedade de forma natural, preconceito, abuso de poder, escravidão e ambição, vistas de formas disfarçadas que não estão ali buscando nosso famoso lacre, mas como um pedaço de um imenso quebra cabeça que gira em torno de uma cidade e uma guerra entre raças que esta sobe um leve fio prestes a ser cortado.


A série propõe uma apresentação constante do seu cenário detalhado, dos problemas recorrentes a guerra lá fora, de um acumulo de pequenos acontecimentos que levam a problemas maiores e mais complexos, lhe deixando em duvida se a trama principal segue os protagonistas, ou se eles são apenas peões perdidos entre mundos diferentes.

A beleza da série muitas vezes lhe entrega um pedaço cru da humanidade, sem retoques ou medo de parecer cruel. Intrigas e conflitos que fazem por um momento você esquecer do quão longe Carnival Row deveria estar do mundo do outro lado de nossa janela, e começar a perceber que máscaras, figurinos, raças são pequenos disfarces que não conseguem fugir dos pecados da sociedade atual, nos mantendo inebriados dentre as diversidades e imersos pelas identificações com o mundo real.


Carnival Row te dá personagens cativantes, cheios de defeitos, de remorso, com muito pesar e alguns com nenhuma esperança, tão humanos quanto alguém poderia ser, tão fantásticos quanto só eles conseguiriam. Entre amores mal resolvidos, onda de assassinatos, seitas malignas, pequenas e poderosas conspirações e uma conflitante e problemática briga entre parlamentares decidindo o quão longe de outras espécies a humanidade deve ficar nós somos guiados e assimilamos o que é o real bem e mal dentro de toda a trama.


Na audácia de nos entregar o fantástico tão mixado com a realidade eles podem ter encontrado um caminho de chamar dois públicos diferentes, mas foi com a direção precisa, a trilha sonora e ambientação peculiares, e seu sistema de nos esconder a real direção de tudo até ser tarde demais que causa o impacto e desejo por querer mais dela.

E é por tudo isso que ela ganhou seu lugar aqui, nessa louca e perdida hora do chá, que foi feita esquivando o máximo de spoiler mas com a esperança de que possa ter entregue uma semente de curiosidade, vejam, apreciem, odeiem , e contem para nós o que acharam, e até a próxima bando de loucos!


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